segunda-feira, 27 de novembro de 2017

10 cantos...

UM CANTO EM 10 QUADRAS A UMA PÉROLA E UM EPÍLOGO DE FELICIDADE E ESPERANÇA.
I
Está aqui uma pérola,
que Deus nos deu a criar.
Fizemo-la muito bela,
há mais para aprimorar.
II
Ao tesouro valioso
essa pérola faltava.
De um brilho radioso
valor acrescentava.
III
Luz, cor e firmeza estão
sempre nas lindas pérolas.
Mas a que Deus nos deu então
sobressai das mais belas.
IV
Amor, cuidado, entrega
Estava nas nossas mãos.
Mil desvelos que carrega
tal pérola em nada vãos.
V
Tem a pérola bom valor
para quem dela já fruiu.
E vale mais, depois da dor,
Com o amor que lhe sorriu.
VI
Não sai, não, do horizonte
onde sempre a vislumbramos.
Vai deleitar-se na fonte
Com que todos já sonhamos.
VII
Ficamos, hoje, mais pobres?
Não, não lhes vamos perguntar.
Vão ser duas e tão nobres
Que outras pérolas vão dar!
VIII
Tal dinâmica da vida
vai por certo multiplicar.
Somos dez e de seguida
Vai a riqueza aumentar!
IX
São pérolas de esperança
que não poderemos criar.
Porém temos confiança
de as podermos embalar.
X
Este ciclo está fechado
Tem a pérola novo lar.
Leva consigo o amado
Vale agora a dobrar!

EPÍLOGO
São simples versos, quase populares.
Versos de uma história singular: a nossa, dos nossos filhos, das nossas noras, do nosso genro, das nossas netas.
Serve essencialmente para dizer:
Tu, Marco, levas a filha do nosso coração, a quem demos o melhor que tínhamos.
Não fomos perfeitos, não fomos sempre à medida do sonho dela.
Fomos do nosso jeito, à medida da graça que recebemos do Senhor, o nosso Pai Celeste.
Levas um tesouro, não esqueças!
E leva-lo porque conquistaste o seu coração, porque esse é o presente de Deus para ti (e tu és presente para ela também).
Lembra-te que um tesouro não é apenas para conservar, é para valorizar.
Ela vale mais contigo.
Vale pelo menos o dobro.
E ambos valerão muito mais amanhã para nós, para a nossa família, para os nossos irmãos e amigos, para todos os que nos conhecem e são pessoas de bem.
Pronto, adiante, ide.
Ficam no nosso coração.
Ambos farão também o nosso futuro, perpetuarão a nossa história.
Na medida que o vosso futuro for abençoado, o nosso sê-lo-á também.
Queremos que o tesouro, que ambos são, valha muito mais amanhã.
Também por causa das pérolas que nos vão dar.
Serão vossas, mas enriquecerão a nossa vida.
Hoje prossegue uma linda história de amor, cujos capítulos escreverão dia-a-dia.
Cada um diferente, dentro do mesmo guião, aquele que vos uniu.
Queremos ver, pelo tempo que Deus permitir, cada cena dos próximos capítulos!
E ver a beleza da vida no seu máximo fulgor.

Nós abençoamo-vos e rogamos que o Senhor a quem servimos vos cumule com todas as bênçãos do Céu.

sábado, 11 de novembro de 2017

Migalhas de um diálogo antigo...


Os perfeccionistas não publicam!
Lá vão deixando que os seus escritos (poemas) magnifiquem os livros dos outros!
Gosto de poesia (gostava de saber escrevê-la. sem reticências...)
A poesia também se escreve na prosa.
Nos teus laços de ontem há muita poesia
Não foi intencional (só os poetas descobrem na prosa alguma...poesia!).
Pessoas felizes não têm história
Gostei desse verso: A história só se mete com os infelizes!
Estamos a falar do efémero. O poeta, cantando, alarga os horizontes, vê além do homem comum...
Ele faz a história antes que ela o seja...
O poeta «está-se a lixar» para as desgraças vividas (só as tem em conta para cantar melhor destino)...



PS: Se não fizer sentido, não importa: é conversa para «poetas»...

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Jesus, sempre!

Foi um slôgane, pode encher a capa dum livro...
«Jesus, sempre!» pode ser substancialmente muito mais. Será, se quisermos, alavanca de emoções, sustentáculo de convicções. Pode ser um desafio permanente, aceite de consciência tranquila, para viver uma promessa de fidelidade sem hesitações...  Pode ser o futuro, que já foi presente e passado, porque «Sempre» é todo o tempo!
Quem sabe foi o «Sempre» d'ontem e o «Sempre» d'hoje, amanhã  é «Jesus, sempre!» também...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Só podia ser mentira

A Primavera floria nas plantas mais temporãs. Ainda não tinham chegado as águas de Abril para a fazer esquecer. O dia nascera aberto com o sol à procura do seu esplendor máximo. Pouco passava das oito e trinta quando o comboio, pontual, parou na terceira estação da margem direita do rio, que marca a fronteira sul da cidade. Uns, apressados, perfurando, em ápices sucessivos, a multidão através dos espaços momentaneamente abertos; outros, cadenciando o ritmo usual para o percurso directo ao destino. Habituara-se, desde que fora inaugurada essa linha ferroviária, àquele horário e, ao fim de oito minutos, mais coisa menos coisa, estava sentado à secretária, na Repartição dos Impostos, depois de ter cumprimentado os funcionários, seus subordinados, chegados instantes antes dele. Deu-se muitas vezes a pensar com os seus botões, aliviado, tranquilizado com essa certeza diária de poder chegar a horas, a relevar os investimentos públicos que notabilizam os respectivos decisores, a audácia de mandar adaptar a velha ponte, há tantos anos preparada para deixar o comboio circular entre as duas margens… Estimulava-se, nessas ocasiões, para vencer as barreiras diárias que as tarefas de tornar exequíveis as leis fiscais lhe colocavam diariamente. Para fins de interesse público tão relevantes, urgia cobrar todos os impostos liquidados e liquidar e cobrar os que eram devidos por quem não os declarava.
Durante alguns meses – tinha quase a certeza que isso acontecera desde o preciso dia em que se inaugurara aquela infra-estrutura – tivera por companheiro de viagem, diariamente, um ex-colega de Faculdade, que fazia carreira na banca do Estado. Durante cerca de cinco anos encontraram-se, esporadicamente, nas redondezas do edifício dos impostos e da sede do Banco do Estado, depois do almoço, no passeio de descontracção que ambos faziam, aliviando-se do ar condicionado. Desde que optaram por aparcar os veículos junto à estação mais próxima das suas residências, aprofundaram a convivência, partilhando interesses e opiniões comuns. Fizeram-se amigos, apesar de não se encontrarem fora desse círculo de relacionamento – todas as manhãs tomavam o mesmo comboio, sentavam-se ao lado um do outro, discorriam sobre a vida, nos limites que cada um se impunha, e percorriam o mesmo trajecto até à entrada do edifico dos impostos. Nos últimos sete meses, porém, desencontraram-se pois o do Banco do Estado mudara-se para outro edifício, mais próximo, logo ali em frente da estação, e optara por sair de casa quinze minutos mais tarde.
Nesse dia atrasara-se uma hora, o tempo necessário para voltar a casa, onde deixara, esquecida, uma pasta com um relatório sobre a aplicação duma norma fiscal, que estava a gerar controvérsia nos Serviços, elaborado depois do jantar do dia anterior, para apresentar ao Director-Geral. Aproveitou os vinte e dois minutos de viagem para relê-lo e anotar as últimas gralhas. Deu de caras com o amigo, no exacto instante em que transpunha a porta de saída da estação. Estava atrasado e por isso apenas o inquiriu da razão por que estava ali. O outro disse-lhe que ia para casa, mas vendo-lhe o espanto nos olhos, em poucas palavras, visto que se apercebera da pressa dele, explicou-lhe que desde o dia anterior estava aposentado e que, de manhã, se esquecera disso; só à porta do edifício e quando procurava na pasta o cartão de acesso é que se dera conta que já não trabalhava ali… O dos impostos fez um ar de admiração e, sem mais, despediu-se. Libertou-se do relatório já pela tarde dentro. Lembrou-se do amigo. Aposentado aos cinquenta anos? Mas não tinha mais de vinte anos de descontos… Um profissional dedicado, dez a onze horas por dia, responsável intermédio no departamento jurídico de grande importância na instituição bancária, de aparente boa saúde, adepto da formação e actualização contínuas, de desempenho excelente, reconhecido anualmente com promoções e participação nos lucros, de quem os colegas faziam laudatórias referências. Ter-se-ia alterado este “quadro” durante o período em que esteve envolvido na reestruturação do departamento, por causa da integração dos serviços doutro banco, tecnicamente falido, que desta forma se salvava? Parecia-lhe inverosímil que, tão repentinamente, se aposentasse um profissional assim. Mas não tinha nenhuma razão para duvidar do que ele lhe dissera, apesar da ausência de pormenores, dada a rapidez do encontro. O expediente desse dia estava quase completo quando se apercebeu que era um de Abril… Sem duvidar do amigo, telefonou para a direcção de pessoal do Banco do Estado e perguntou por ele. Disseram-lhe, sem perda de tempo a consultar arquivos, que assinara no dia anterior o acordo de pré-reforma, com efeitos imediatos. Palavra puxa palavra, formou a convicção de que por ali todos sabiam do caso e imputavam o desfecho à ajuda “duma boa madrinha”. De padrinhos já ouvira falar, mas de madrinhas… O amigo, afinal, falara-lhe a sério embora o dia fosse o das mentiras.

Setembro, 2004 - José Manuel Martins

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Despedida...

Despedi-me, hoje, de Amável Faustino Pedro. Estava doente e findou, aos 74 anos de idade, os seus dias. Passaram 50 anos desde que nos despedimos, em Lisboa, após a conclusão do curso IB/67 que ambos frequentámos. Do grupo de alunos desse ano, é o primeiro a ser «coroado». Gostei tanto de voltar a estar com ele nos Convívios de Alunos que organizei ou ajudei a organizar. Relembro aquele em que, depois do almoço, em Maio, demos as mãos, em roda, na praia, e cantámos, cantámos... «Miúdos» felizes em convívio, partilhando experiências de vida e confirmando, no essencial, as convicções da Escola, que já eram de cada um antes dela...
O Amável agora canta, com os anjos, os louvores que só se escutam no Céu... 
A «roda dos miúdos felizes»» começou a formar-se nas instâncias etéreas e o Amável está na frente a seleccionar as canções e o ritmo..
Não houve choro de tristeza em Almeirim! Ficou a lembrança dum homem de bem, dum homem tão amável quanto todos sabiam que era: Amável!