quinta-feira, 21 de junho de 2018

Manuel da Silva Moutinho

27 de Janeiro de 2013 ·

Tópicos da exposição na apresentação do nosso livro «Manuel da Silva Moutinho, Um padrão da igreja bíblica»:

Agradecimentos pelo privilégio de partilhar o meu livro «Manuel da Silva Moutinho, Um padrão da Igreja bíblica» com todos os presentes.

Agradeço ao pastor Manuel Matos por ter vislumbrado interesse na sua realização para a comunidade evangélica, em particular, e para os munícipes de Rio Maior, em geral.

Agradeço à Câmara Municipal de Rio Maior o ter disponibilizado os meios da Biblioteca Municipal para esta sessão Cultural.

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O pretexto maior, no que me toca, para estar aqui está relacionado com o facto de MSM ter dado uma parte significativa da sua juventude à proclamação do Evangelho de Jesus Cristo aqui na cidade e ter um percurso ministerial que honra o movimento das Assembleias de Deus em Portugal que celebra o seu centenário. Também tem muito significado o facto de lembrar hoje os 70 anos de publicação da revista Novas de Alegria, de que foi um colaborador assíduo durante 50 anos, aproximadamente.

Depois, é preciso estar perto das pessoas, dos potenciais leitores aqui em Rio Maior, que gostarão de conhecer a vida e obra de MSM… afinal ele deu um contributo muito grande para a comunidade local no exercício do seu múnus.

Compreendemos melhor as pessoas quando as conhecemos, as ouvimos falar ou ouvimos falar acerca delas…

Estamos mais aptos a ser-lhes úteis se sabemos o que pensam, o que necessitam…

Há muito tempo que não falava nem ouvia falar de Rio Maior…

Sei lá, para mim, Rio Maior, quando começamos a pensar nesta iniciativa, era uma vila/cidade muito importante nos anos idos em que a democracia ainda gatinhava, ou a cidade onde vim à Repartição de Finanças para acompanhar a venda do património duma ou doutra empresa mal sucedida, ou ainda a cidade onde há sal e a gente vê isso assinalado quando vai pela Estada nacional a caminho de Leiria…

Mas muda tudo quando falamos ou ouvimos falar e procuramos conhecer…

Vou estar mais atento o que se passar em Rio Maior.

Aliás, já comecei a ficar atento tanto mais que, há tempo, na indecisão de escolher o pão que queria levar para casa, dei-me conta que estava diante de mim Pão Regional de Rio Maior, feito com farinha tipo 65, fermento, água e sal e que o faz é Costa & Ferreira, Lda, do Alto da Serra, Rio Maior. Passe a publicidade. É bom o pão. E ganha a Região pois a economia ganhos novos consumidores

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E viemos cá para dizer o quê?

Se não fosse termos vindo aqui seríamos desconhecidos uns para os outros, não se falaria tanto da Revista Novas de Alegria, a Assembleia de Deus de Rio Maior não seria o ponto do mundo mais importante agora e Rio Maior não teria, pelo menos, vendido tanto pão!

As pessoas têm que estar próximas umas das outras!

MSM servia as pessoas, ensinava as pessoas, gostava de estar com pessoas (este é um aspecto que reputo da maior importância: quem lê o livro «Manuel da Silva Moutinho, Um padrão da igreja bíblica» sente-se, imediatamente, interlocutor do mestre MSM! Ele conhecia muito bem as pessoas, nos seus defeitos e, especialmente, nas suas virtudes! Não falava por falar; falava porque tinha uma resposta e sabia que as pessoas careciam dela…Vejam os artigos que publicou sobre dezenas e dezenas de assuntos que dizem respeito ao bem estar espiritual, moral e social de todos. Falou de saúde, de doença, do uso dinheiro e da falta dele; da riqueza e da sua distribuição…).

Ele fazia-o de várias formas.

Fazendo o trabalho da evangelização (foi isso que fez mais em Rio Maior, quando era jovem).

Não foi sem dificuldades que o fez como se pode ler nos relatos do trabalho à época (cf.pág. 100 Novas de Alegria de1959).

Foi em Setembro de 1959 que MSM deu as primeiras notícias do trabalho pentecostal em Rio Maior. Publicou a Revista Novas de Alegria uma fotografia de 7 novos membros da igreja, ladeados pelo próprio e por João Chasqueira, já falecido, que foi o oficiante da cerimónia baptismal.

Essa fotografia é de 28 de Junho de 1959, na Foz do Arelho (conforme informação de que disponho). Na notícia desse evento, referem-se contactos com as populações de Painho (Cadaval) e Cidral (Rio Maior). Nesta última localidade «choveram» pedras e impropérios... Amostra dos tempos difíceis de então para os arautos das Boas Novas...

E noutra notícia do ano anterior (pág. 100 Novas de Alegria 1958) confirmam-se as dificuldades do trabalho: «A igreja do Senhor nestas paragens foi aumentada com mais 22 membros, sendo 12 do lado das Caldas da Rainha e 10 de Rio Maior» (ver foto). Em Rio Maior o «Senhor tem abençoado o irmão Moutinho, meu cooperador neste campo. (...) A Casa de Oração em Rio Maior já se torna pequena e por tal necessitamos fazer obras para o seu alargamento.»

A foto tem má qualidade, mas muitos reconhecerão os que eram de Rio Maior e foram baptizados em 13 de Julho de 1958, na Foz do Arelho, «perante uma grande multidão».

Nessa notícia conta-se um episódio interessante, que demonstra a acção do Evangelho de Jesus Cristo na vida das pessoas: «Em Casal do Pardo estávamos preparando uma casa para a pregação do Evangelho. Os seus donos eram taberneiros e converteram-se ao Senhor e procuraram transformar a taberna numa casa de culto. O povo não gostou da transformação e, a todo o custo, ainda que fosse preciso matar-me, como eles me disseram, não querem lá o Evangelho, preferindo antes a taverna, onde o povo se perde, se arruína, e de onde procede a ruína dos lares e das famílias.» Nesse lugar, uma vez, algumas pessoas apanharam um dos crentes, homem casado e com cinco filhos, e deram-lhe tantos socos que, passados alguns dias, mal podia respirar.

Era, assim, com dificuldades de toda a ordem que a acção dos pentecostais ia progredindo em Calda da Rainha /Rio Maior.

A Revista Novas de Alegria teve um papel importantíssimo.

No ano de 1955, quando ele começou em Setúbal, a «página impressa» era o «meio idóneo para fazer chegar o Evangelho a todo o lado» (cf. pág. 78, in fine, MSM, Um padrão…). Esse ano ficou marcado como o ano do início da «Campanha pró 10.000 assinantes» que foi «gizada para que, como “humilde pregoeiro” (…) entrasse “em muitos lares portugueses proclamando boas-novas de salvação aos que jazem nas trevas e sombra da morte». (cf. pág. 80 MSM, Um padrão…).

O argumento nessa campanha era do género «um por todos, todos por um», em busca desse objectivo imediato (10.000) assinantes), mas projectado, desde logo, um número em quádruplo, o que continuaria a ser uma gota de água no oceano de milhões de portugueses que vivem seu Deus. Era preciso fazer chegar a revista «ao padeiro, ao leiteiro, ao merceeiro, ao carvoeiro, ao hortaliceiro…» (cf. pág. 81, MSM, Um padrão…) A Revista deveria chegar a todas as pessoas.

MSM era angariador de assinantes, quando estava como evangelista no Montijo, em 1955, e a meta dos 10 000 foi atingida em Janeiro de 1958 (o nº 181, Ano XVI foi de 10000). E chegou aos 20 000 apenas em Janeiro de 1977.

MSM tinha um grande apreço pela Revista Novas de Alegrias conforme o testemunho que deu (Cf. pág. 414/415. Ler esta nota nº 16. MSM, Um padrão da…)

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Fazendo o trabalho pastoral (sendo ainda muito jovem, e após a morte do pioneiro e veterano José de Matos).

As dificuldades de ordem material eram também muitas (MSM, Um padrão da…pág. 35: teve de conciliar por algum tempo o trabalho secular com o exercício do múnus espiritual, para garantir o seu sustento; MSM, Um padrão da… pág. 45: «Rio Maior, onde dormia nos bancos da igreja e apanhava grandes molhas quando ia e regressava de bicicleta das reuniões evangélicas que celebrava».

Mas havia um cuidado especial em tornar conhecida a Igreja por meio do testemunho dos crentes, em tempos de grande intolerância:

A estória da compra do ferro de engomar. O testemunho público acerca do modo como os crentes em Rio Maior se davam a conhecer por padrões de comportamento cívico e moral exemplar… (MAS, UM padrão da…pág. 175). MSM usava a figura do salmão para exemplificar o modo como se vencem as dificuldades e a expressão «gente de linha» para enaltecer o padrão moral dos crentes…

Nessa altura, já ele esboça o conceito que veio a desenvolver e pôr em prática acerca da igreja bíblica (MSM, Um padrão da…: cf. pág. 31. 55/56).

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Finalmente, no seu percurso encontrámos uma preocupação permanente com 1) as crianças (escreveu para elas, na BS, vários artigos dando como exemplo os «meninos» da bíblia – ver MSM, Um padrão da … pág. 409/410), 2) com os jovens, para quem escreveu dezenas de artigos alertando para os perigos inerentes à idade, e 3) com os idosos (ele relata a preocupação de apoiar, nos anos 60, no Porto, os velhinhos que estavam no Lar). Fala até da velhinha que sabia que devia lutar contras as falhas, que eram resultado da evidência da carne, e que se esbofeteava para vencer a carne…

O livro, cuja apreciação compete aos leitores, procura dar pistas para a compreensão do pensamento do homem que nasceu num meio pobre, que não teve os recursos das gerações seguintes, mas que marcou centenas e centenas de pessoas do Norte ao Sul do País, em todos os distritos em que serviu.

O compromisso de deixar este memorial resultou do facto de ter privado com ele durantes os últimos anos (em 1962/1965 tínhamo-lo conhecido no Porto, e ele foi de inspiração para mim, que era ainda um adolescente) e termos colaborado na edição de dois dos seus livros e sabendo que ele propugnava para que se publicassem obras que transmitissem às gerações seguintes o conhecimento preciso do que foi o trabalho das Assembleias de Deus e dos seus ministros.

Já fizemos a apresentação deste livro noutros locais onde focámos outros aspectos da vida e obra de MSM e deixamos os tópicos das nossas intervenções na internet.

Evidentemente, poderíamos estar aqui a tarde inteira, e «oralizar dezenas de monografias» sobre temas centrais da sua obra enquanto ministro do Evangelho. Serão os leitores e os estudiosos que no futuro lhe dedicarão estudos de homenagem, que estarão para além do que fui capaz, sem desvirtuar o objectivo deste trabalho, de escrever para honrar a sua vida e obra.

E haverá matéria para reflectir, que está em tópicos neste livro, como, por exemplo:

1. A liderança e o povo/uma relação de conhecimento e confiança recíproca;
2. A portugalidade na emigração/a língua e o regresso às origens/como protagonizar a evangelização das aldeias;
3. A partilha do ensino bíblico como facto de unidade da comunidade assembleiana;
4. A importância social da evangelização/formação cristã, com exposição bíblica, das crianças e adolescentes;
5. A coerência intrínseca entre o ensino ministrado e respectiva vivência;
6. A importância da preservação dos valores e exemplo dos pioneiros para a unidade do movimento;
7. A vivência cristã sob a perspectiva dos conservadores e liberais;
8. A Bíblia como fundamento único na exposição do plano da salvação;
9. O velho e o novo e o equilibro de valores na exposição doutrinária;
10. Os tempos pós-modernos e a conflitualidade com a exposição de toda a verdade escriturística;
11. A inutilidade da igreja não bíblica no plano da salvação do homem;
12. A frustração em resultado do olvido do trabalho realizado;
13. O ministério pastoral e a preocupação social com a distribuição justa da riqueza;
14. A discriminação social dos ministros do Evangelho e o zelo e respeito pelas autoridades constituídas;
15. A Revista Novas de Alegria e a experiência da evangelização porta a porta como actividade de formação dos ministros do evangelho;
16. A necessidade de publicar obras de autores lusos versus importação e leitura de estrangeiros;
17. A substituição das lideranças nas comunidades cristãs sem olvido da obra realizada (o papel dos fundadores);
18. A figura da auto-legitimação ministerial;
19. Privilégios e deveres dos obreiros fundadores de comunidades cristãs;
20. A mera declaração de princípios ou a vivência prática do Evangelho;
21. A ausência de santificação e a certeza da salvação;
22. A caracterização do modernismo e os seus efeitos na unidade da igreja…

Rio Maior, 26/1/2013

PS:
1. Apesar destes tópicos (que tínhamos preparado com tempo e cuidado, atendendo ao programa e ao facto da Sessão ser aberta a todas as pessoas e com cobertura da comunicação social local), preferimos fazer a exposição só pontualmente recorrendo a eles, pelo que o registo da sessão (e o que ficou na memória do evento) será formalmente diferente (não nos afastamento do conteúdo);
2. Foi maravilhoso poder contar com a participação de tantos Rio-Maiorenses (e outros amigos vindos doutros locais próximos, mas também de Coimbra e Aveiro…), interessados no tema da obra e, também, obviamente, na exposição sobre a natureza e percurso da Revista Novas de Alegria, excelentemente feita pelo seu actual director, e, ainda, pela apresentação do pastor António Costa Barata, também excelente, da figura do pioneiro José de Matos, cuja memória muitos ainda preservam.
3. O profissionalismo e gentileza dos responsáveis da Biblioteca Municipal, destacados para apoiar a iniciativa, foram marcantes e determinantes para o sucesso da iniciativa conjunta da Assembleia de Deus de Rio Maior, da editora do livro Letras d’Ouro e da Biblioteca Municipal de Rio Maior (está disponível para leitura e consultas públicas um exemplar do livro «Manuel da Silva Moutinho, Um padrão da igreja Bíblica» na Biblioteca, oferta de Letras d’Ouro, editores).
4. A todos os que permitiram a concretização deste evento e nele participaram, um muito obrigado! Muito Obrigado, ainda, à Câmara Municipal de Rio Maior por ter agraciado os que integraram a Mesa da Sessão (e também Rosa e Tito Moutinho) com uma recordação do evento.

José Manuel Martins

Amizade...

A amizade não é uma relação de escravidão em que alguém, para não a perder, faz tudo o que lhe mandam! Às vezes, a amizade entre líderes e liderados tem essa natureza, em particular quando um deles é superior hierárquico em ambiente laboral ou dirigente investido de autoridade espiritual numa comunidade religiosa. Nalguns casos, na relação de amizade entre apaniguados do mesmo credo, em que uma das partes tem funções de autoridade, impera a regra «faz como eu mando para seres meu amigo», uma espécie de paráfrase das palavras de Jesus aos discípulos: «Vós sereis meus amigos se fizerdes o que eu vos mando.» Naturalmente, essa amizade é doentia e ambos precisam de se libertar dela!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Francisco Julião dos Reis



Uma vida longa e inspiradora.


Partiu para estar com o seu Senhor o meu distinto amigo Francisco Julião dos Reis, uma referência moral incontornável desde há quase 50 anos, quando o conheci, em Luanda.

Nasceu em Alvor, Portimão, no dia 9 de Janeiro de 1928. Faleceu em Lisboa no dia 9 de Maio de 2018.

Na década de 1940 enfrentou situações difíceis, uma das quais relacionadas com a morte do seu irmão mais velho dois anos. No início da década de 1950 foi para Angola, onde teve contacto com o Missionário Joaquim Cartaxo Martins, que estivera em Portimão, onde o conhecera. Casou com uma jovem de Porto Aboim, umas das primícias da evangelização no Cuanza Sul.

Trabalhou para o Estado na Junta Autónoma de Estradas de Angola.

Conheci-o em meados de 1969, em Luanda. Ainda não tinham filhos ainda, os quais nasceram nasceram nos anos próximos, quando ele já tinha mais de 40 anos. A propósito deles e da maternidade tardia da mulher, Lucília, escreveu Alfredo Rosendo Machado no seu livro de memórias, Não Desistas (http://letrasdouro.com/site/produto/nao-desistas/ (Cf. fls. 114, 115 e nota do Editor nº 63)

Nos últimos anos, cerca de 20, Francisco Julião dos Reis viveu na Aroeira, Almada, congregando-se com os evangélicos assembleianos em Almada e Seixal (Cruz de Pau). Sempre dinâmico, empolgado, lúcido, convicto.

Um homem reservado, muito ciente da sua privacidade. Um leitor fiel do que fui escrevendo! Levou consigo nacos da história que poderia ter contado. As histórias que lhe ouvimos (poucas, em particular reservadas às experiências em Serpa Pinto, no Sul de Angola, como funcionário público...) deviam ter sido documentadas, aprofundadas, registadas...

Fica-me a memória dum homem discreto com lições de vida marcantes. Um cristão a imitar.


José Manuel Martins




quarta-feira, 13 de junho de 2018

Victor Vaz Martins

Hoje andei à volta duma história com forte carga emotiva! Em 1963, no interior da Guiné-Bissau, um homem foi morto, às mãos das forças militares e de segurança, por ser suspeito de colaborar com o IN! Mas ele era um simples evangelista que queria partilhar as Boas Novas com os seus conterrâneos, que viviam «enterrados» no mato, sem contacto com a «civilização». Vou usar as palavras de Ernesto Lima: «No dia 29 de Março de 1963, à tardinha, numa sexta-feira, o ancião Victor Vaz Martins foi chamado pelo Comandante Militar de Empada. Ele prontamente saiu, sem se despedir, pensando que, como das outras vezes, ia regressar dentro de pouco tempo. Mas afinal era a última vez que deixava a sua casa e família. Foi e ficou lá horas consecutivas e a família o esperava ansiosamente. As autoridades militares também prenderam outras pessoas com influência na vila, entre as quais estava o antigo evangelista Pedro Silva, com o mesmo propósito. Nunca explicaram aos familiares a razão destas prisões sem culpa formada. Pensa-se que julgavam que os detidos tinham algum contacto com os guerrilheiros do PAIGC mas sem provas. (Durante a Guerra de Independência - 1962 a 1974 - todo o letrado Guineense era suspeito pela PIDE quando participasse na governação.)
Naquela mesma noite, um dos detidos foi imediatamente fuzilado, mas o ancião Victor Vaz Martins, Pedro Silva e mais outros detidos foram submetidos aos piores maus-tratos físicos que se possa imaginar! Além de tudo isto, os irmãos Pedro Silva e o ancião Victor Vaz Martins foram pendurados de cabeça virados para baixo e pés para cima, sob terríveis torturas, até não poderem mais suportar. Porém, o ancião Victor Vaz Martins, pouco antes de morrer, fez uma breve oração a Deus, dizendo: "Jesus, peço-te que perdoe-lhes todo este mal que nos fazem!"»
Victor Vaz Martins fora funcionário administrativo e chegara a desempenhar o cargo de Chefe de Posto na estrutura colonial. Era casado, tinha sete filhos e andava de tabanca em tabanca falando de Jesus aos povos da região de Empada...
Hoje falei com a filha, que estava grávida pela quarta vez quando lhe vieram anunciar a morte do pai... Foi ela quem me disse que a viúva de Victor Vaz Martins, sua mãe, vive em Bissau e está quase a fazer 103 anos. Passados 51 anos, aquela velhinha tem direito a um abraço de ternura. Presumo que nunca tenha sido «compensada» por lhe terem matado o marido tão injustamente. Fica o exemplo dum homem simples, ignorado do mundo, capaz de perdoar os seus algozes à semelhança do que aprendera do seu Senhor!

terça-feira, 22 de maio de 2018

Notas soltas...



Impressionam-me muito os testemunhos daqueles que mudaram de rumo quando descobriram um livro, à semelhança do que sucedeu a Agostinho com a descoberta de "Hortensius", de Cícero... O Livro pode instilar nos leitores "as suas ideias"! Aliás, relembrando o autor de "A beleza salvará o mundo", elas são revolucionárias: nada será como dantes!


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"O tempo não perde tempo, tão-pouco passa em vão. Por meio dos nossos sentidos ele realiza estranhas operações mentais." Agostinho, Bispo de Hipona, Confissões. Estou a recordar, lendo, factos da década de 50 do século passado... Olhar para o passado deve ser, sempre, um exercício de muito rigor para não dar ao tempo que passou o "senhorio" da história.


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A nossa preocupação com a «coisa pública» pode muito bem ser manifestada em pequenos actos individuais, para além da magnificência do discurso! Sim, pequenos «gestos», sempre mais simples do que discursos elaborados... Exemplo? Podemos todos contribuir para a sustentabilidade financeira do Serviço Nacional de Saúde de forma prática, económica e saudável: Reduzindo o consumo de açúcar! Tão simples como beber um copo de água em vez de um...refrigerante! Tão económico como beber um copo de leite sem acrescentar...açúcar! Tão saudável que deixa espaço para todas as celebrações (todas, não; só as mais importantes...) com coisas...doces!
Então, dê o seu contributo voluntário para o SNS. Talvez, assim, ganhe espaço para pagar menos impostos...