Boa noite, Elias.
Esta manhã, telefonei para confirmar se tinha visto a minha missiva. Não estavas ou não pudeste atender (liguei para o telefone fixo visto que o móvel não tocava; se não comunicaste nenhum problema é porque está tudo normal. Essa regra funciona bem na nossa comunicação. Ainda assim, amanhã repito o procedimento).
Ficou por desenvolver a segunta parte deste documento, Vitórias da graça de Deus, sobre o qual falamos bastante.
Também em relação do Hannington filho, o texto é muito sucinto, embora aponte para uma vivência missionária muito proveitosa. Aliás, conhecemos outras que têm semelhantes desfechos. Parecida com a situação no Uganda, conta-se o que ocorreu no Equador, na América latina, pela mesma época. Foram os familiares dos missionários mortos pelos indígenas que, mais tarde, os evangelizaram.
O reverendo e missionário referido no texto, é James Edward Meopham Hannington (frequentemente citado na literatura histórica como Rev. J. E. M. Hannington), o filho mais velho do Bispo James Hannington. O pormenor extraordinário que o jornal relata (como sabes, Elias, trata-se da revista Novas de Alegria do ano de 1947, salvo erro) sobre a reconciliação e o baptismo — é um facto histórico documentado pelas missões anglicanas. O texto refere-se ao baptismo do filho de um "soba de fronteira" (o chefe local que deteve o Bispo). Historicamente, tratava-se de Timothy Mubinyo, o filho de Luba, o chefe da região de Busoga que tinha capturado e participado na execução do Bispo Hannington, em 1885. O baptismo ocorreu exatamente a 8 de abril de 1906 na região de Uganda. Cerca de 20 anos após o violento martírio do seu pai, o jovem James E. M. Hannington viajou para a mesma região como missionário. Num acto público de profundo perdão e reconciliação cristã, ele baptizou pessoalmente o filho do homem que liderara a captura e assassinato do seu pai. Ele seguiu rigorosamente os passos do pai no ministério da Igreja Anglicana através da Church Missionary Society (CMS) e dedicou grande parte da sua vida ao serviço missionário na África Oriental (particularmente no Quénia e no Uganda), ajudando a consolidar a igreja na mesma rota onde o seu pai perdeu a vida. Como curiosidade complementar, o Bispo Hannington teve outro filho que também trabalhou no Uganda. O irmão mais novo do reverendo, chamado Paul Travers Hannington (nascido em 1881), também viveu no Uganda a partir de 1909, mas seguiu uma carreira civil e militar, servindo como oficial administrativo e chefe de estação do governo colonial britânico na província de Koba.
Admiro estes exemplos de coragem e serviço. Ele podia ter sido tomado pelo ódio e espirito de retaliação. Deixou-se mover pelo espírito de perdão e serviço. Na África daqueles dias não era «pera doce» fazer o trabalho missionário e, ao mesmo tempo, não ser envolvido nas convulsões próprias dos povos locais e das que resultavam da divisão do território.
E pronto, fica esta nota sobre texto antigo que, agora, está mais intelegível. A história pode ser uma boa ferramente para confirmar (e credibilizar) o que parece inverosímel.
Abraço, com a estima de todos os dias,
29 de Maio de 2026
José




