Olhei para o texto, publicado em Abril de 1958, nº 184, de Abril de 1958, e pareceu-me estranho. Fui conferir e de facto existem dados históricos sólidos que confirmam e detalham o acontecimento nele mencionado. O problema está no facto de ter uma «gralha»: o ano correto do desembarque e do culto foi 1557 (e não 1857), o que justifica perfeitamente a comemoração do 4.º Centenário em Maio de 1957. Parece que a «doutrina» não não corrigir as gralhas vem de longe...
O evento ocorreu durante a tentativa francesa de estabelecer uma colónia permanente no Rio de Janeiro, conhecida como França Antártica (1555–1560), sob a liderança do vice-almirante Nicolas Durand de Villegaignon.
A pedido do próprio Villegaignon, o reformador João Calvino enviou de Genebra um grupo de calvinistas (huguenotes) para a colónia, incluindo colonos, artesãos e dois pastores formados: Pierre Richier e Guillaume Chartier. A frota com os missionários aportou na Baía de Guanabara em Março de 1557. Instalaram-se na Ilha de Serigipe (ou Seregipe), uma pequena ilha fortificada pelos franceses. Mais tarde, o local foi rebatizado como Ilha de Villegaignon — local onde funciona hoje a Escola Naval brasileira. O culto histórico deu-se exatamente no dia 10 de março de 1557. Foi dirigido pelo pastor Pierre Richier seguindo os moldes da tradição reformada de Genebra. O sermão teve como base bíblica o texto de Salmos 27:4 ("Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida..."). Os presentes entoaram coletivamente o Salmo 5. Este é oficialmente reconhecido como o primeiro culto protestante realizado em todas as Américas. Poucos dias depois, a 21 de março de 1557, celebraram também a primeira Santa Ceia sob o rito calvinista no continente. A convivência pacífica na ilha durou pouco. Divergências teológicas profundas fizeram com que Villegaignon se voltasse contra os huguenotes, expulsando-os da ilha e, mais tarde, executando alguns deles, episódio que originou a famosa Confissão de Fé de Guanabara. Apesar do fim trágico da missão francesa, a data de 10 de março permanece um marco basilar para a memória institucional das Igrejas Presbiterianas e demais denominações evangélicas reformadas no Brasil.
Foi pena a Reforma não ter vingado no Brasil...
Em vez de ouro, teríamos trazido mentalidade, abertura ao mundo, talvez melhores maneiras de gerir a riqueza, de transformar a nação, de dar progresso ao povo, de limitar o jesuitismo... Mas a história é o que é, mais nada.
Abraço,
O evento ocorreu durante a tentativa francesa de estabelecer uma colónia permanente no Rio de Janeiro, conhecida como França Antártica (1555–1560), sob a liderança do vice-almirante Nicolas Durand de Villegaignon.
A pedido do próprio Villegaignon, o reformador João Calvino enviou de Genebra um grupo de calvinistas (huguenotes) para a colónia, incluindo colonos, artesãos e dois pastores formados: Pierre Richier e Guillaume Chartier. A frota com os missionários aportou na Baía de Guanabara em Março de 1557. Instalaram-se na Ilha de Serigipe (ou Seregipe), uma pequena ilha fortificada pelos franceses. Mais tarde, o local foi rebatizado como Ilha de Villegaignon — local onde funciona hoje a Escola Naval brasileira. O culto histórico deu-se exatamente no dia 10 de março de 1557. Foi dirigido pelo pastor Pierre Richier seguindo os moldes da tradição reformada de Genebra. O sermão teve como base bíblica o texto de Salmos 27:4 ("Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida..."). Os presentes entoaram coletivamente o Salmo 5. Este é oficialmente reconhecido como o primeiro culto protestante realizado em todas as Américas. Poucos dias depois, a 21 de março de 1557, celebraram também a primeira Santa Ceia sob o rito calvinista no continente. A convivência pacífica na ilha durou pouco. Divergências teológicas profundas fizeram com que Villegaignon se voltasse contra os huguenotes, expulsando-os da ilha e, mais tarde, executando alguns deles, episódio que originou a famosa Confissão de Fé de Guanabara. Apesar do fim trágico da missão francesa, a data de 10 de março permanece um marco basilar para a memória institucional das Igrejas Presbiterianas e demais denominações evangélicas reformadas no Brasil.
Foi pena a Reforma não ter vingado no Brasil...
Em vez de ouro, teríamos trazido mentalidade, abertura ao mundo, talvez melhores maneiras de gerir a riqueza, de transformar a nação, de dar progresso ao povo, de limitar o jesuitismo... Mas a história é o que é, mais nada.
Abraço,

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