IN MEMORIAM DE
MANUEL DE BRITO
Nada
de novo ao cimo da Terra: Morreu mais um homem bom! Não o é porque o disseram,
hoje, os oradores diante do féretro onde estava o seu corpo inerte, apagado,
sem alma... Era-o efectivamente por causa da vida que viveu, dos passos que
deu, das pessoas que amou, ajudou, acarinhou, apoiou, liderou, empregou...Era-o
para as pessoas por causa do que Deus era para si: amor! Não estou a falar dum
homem sem defeitos, sem mancha que não tenha lavado, sem momentos evitáveis,
criticáveis... Desses não falo porque não existem; pelo menos não conheci quem,
sendo da mesma massa que eu, não tenha, aqui ou ali, por isto ou por aquilo
ficado de mal consigo (principalmente) e com os outros. Estou a falar dum homem
que amava!
Amava
a família, amava os amigos, amava os inimigos, amava todos com que se cruzava.
Amava a vida assim como amava Deus! Eu sei disso por experiência própria, por
ter sido beneficiário dessa forma de ser, de estar, de relacionar, de viver. E
sei-o desde uma idade em que o que é significativo na vida (bom e mau...) fica
registado na alma como marca na pele de boi de raça feita a fogo; sei-o por
causa de coisas pequenas, gestos de ouro, servidos em salvas de prata, palavras
oportunas de encorajamento e incentivo. Sei-o de tantas e tantas maneiras, umas
directas, connosco, outras nem tanto: foram serviço a outro, abraço amigo, mão
entendida que depois nos favoreceu também. E, especialmente, sei-o porque vai
perdurar na minha memória o valor intrínseco desse que amava a vida assim como
amava Deus não por causa da capacidade que tenho para recordar mas porque o
testemunho dado constitui-se de «bens imperecíveis», que ficarão para lá de
mim...
E
escrevo isto aqui, entre nós, amigos, que «viajamos» no Machimbombo da Mutamba
para o Bairro Popular e também no sentido inverso, porque ele também amou
Angola e as suas gentes! Deu-lhes a sua juventude, a sua idade adulta, o seu
trabalho, o seu empreendedorismo, a sua fé, a sua solidariedade... Ter-lhe-ia
dado a vida na idade mais madura, sénior, o resto dos seus dias se os tempos
não tivessem sido «tão padrastos» a ponto de escusarem tanta experiência e amor
que podiam ter feito a diferença no devir imediato à independência da nação.
Dos tempos difíceis, que se iniciaram no final da década de 40, até às
convulsões do início dos anos 80, foram mais de trinta anos de labor para fazer
progredir a terra de Angola.
Vão-se
desta vida libertando os que nos precederam nesta relação de amor à terra em
que ainda temos raízes de amor, à Angola dos nossos ideais juvenis.
Manuel
de Brito está agora no Céu, entoando cânticos de adoração. Mas, na terra, aqui
no meu burgo, no meu canto, na minha memória, na minha alma, soa e vai
continuar a soar o som da «orquestra» composta por todos «os instrumentos» dum
homem bom!

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