terça-feira, 15 de dezembro de 2009

NÃO TENHAM MEDO!

Parece uma fatalidade reagir à semelhança dos pastores de Belém diante da manifestação do sobrenatural! Diante dum anjo e envolvidos pela luz gloriosa do Senhor, tremeram, assustados. Não era para menos: no campo, às escuras, a entidade angelical e o clarão celeste, por mais apessoada que fosse a figura daquele e mais luminosa a luz que se acendeu, era para meter medo…

Hoje, entre nós, que abandonamos o campo, que maltratamos a Natureza, que vivemos rodeados de luz em cidades buliçosas, não faz sentido o sobrenatural (procurámo-lo, as mais das vezes, para desafiar o desconhecido, ultrapassar os nossos limites, confrontá-lo com a deidade que cada um é na auto-suficiência conquistada, desde que se pôs de pé, pelos próprios méritos e saberes…), nem importa se, para lá do que é visível, físico, palpável, existe o que quer que seja a que nos devamos religar emocional e espiritualmente: somos deuses!

Porém, incompreensivelmente, morremos de pavor por causa do acontece aos outros (Ah! Como foi possível? Tantos mortos, tanta destruição…), do que imaginámos que nos aconteça a nós (É possível ficar sem emprego, não receber a pensão, não fruir de todas as vantagens do Estado Social por que lutámos e para o qual pagámos?), da vulnerabilidade das nossas convicções (Agora ensina-se o contrário do que apreendemos, vive-se como sempre nos disseram que não era possível viver, crê-se no que se dizia não existir, mas que, afinal, agora já existe) …

Temos medo do que acontece longe e à nossa porta, aos outros e a nós…

Temos medo de viver o Natal e, por isso, clamamos pelo pai natal, que nos entreterá durante o tempo suficiente, desviando-nos a atenção do que, dentro de nós, nos faz estremecer de pavor.

Sim, de pavor, porque bem sabemos que o pai natal morrerá, deixando-nos à mercê do vazio, e não temos a certeza que, para o substituir, lograremos outro recurso mítico, psicológico, que cubra o medo de o perdermos e também de não sabermos já o que significa Natal…

Pois bem, se podemos avaliar o medo dos pastores, se podemos reconhecer o nosso, se podemos admitir que vacilamos, se podemos admitir que amanhã nada será como dantes, podemos também volver a nossa melhor atenção para a origem e substância da manifestação de poder que atemorizou os pastores, não ignorando ou escamoteando a carga de esperança que ela transportava, porque não há Natal sem boa notícia: «Venho aqui trazer-vos uma boa nova, que será motivo de grande alegria para vocês e para todo o povo. Pois nasceu hoje, na cidade de David, o vosso Salvador, que é Cristo, o Senhor!»

A boa notícia é que, hoje, amanhã, podemos enfrentar todas as situações que nos apavoram sem… medo! Se o Natal ocorrer em nós… se o sobrenatural luminoso das campinas de Belém sobrepujar a luz própria… se as vestes angélicas nos derem termo de comparação para desvalorizar os andrajos com que nos ornamentamos… se deixarmos que o Menino Rei, Salvador, que é o Cristo, o Senhor, faça, verdadeiramente, de mediador e nos traga as prendas do Céu…

Votos de Feliz Natal e de um Ano Novo abençoado.

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