Sábado, dia 28 de Setembro, dia para exercitar a habitual preguiça, de estar refastelado a ler o jornal, um livro...
Pensei que ia ser assim, como tinha idealizado o meu sábado. Há hábitos que não perdemos por muito que introduzamos excepções às regras de que eles são feitos. Ultimamente não tenho lido tanto os jornais, e falho muitas vezes a leitura em papel do meu jornal de referência desde 1975, o Expresso. Especialmente falho, passo a leitor intermitente, fazendo até «juras» de não voltar a ler, quando nas suas páginas se esparramam notícias ou comentários que, intelectualmente, me agridem. Tem acontecido algumas vezes, mas volto sempre por causa desse hábito enraizado. Temos que nos reportar a uma referência quando se sabem que os valores da seriedade, verdade, transparência vão escasseando. Mas não é isso que me impulsiona a este escrito…
O meu contacto com o mundo não se iniciou com a leitura do jornal. Abri antes a minha SanzalAngola, espaço virtual de inegável mérito, onde o passado e o presente cimentam uma comunidade de eméritos homens e mulheres que idealizaram, na sua maioria, um futuro diferente para si e respectivas famílias – a Angola de todos! Não pude resistir ao sentimento de ir ter com o
Até o Mosteiro dos Jerónimos estava sorumbático, queixando-se, quiçá, do cinzentismo do dia, da neblina que persistia no Tejo, da brisa fresca que soprava do sul, anunciando a aproximação do Inverno... Num recanto da sua monumentalidade esmagadora (reparei, de novo, na grandeza que ali está erigida, em honra da «causa» mais ousada dos portugueses - a de dar mundos ao Mundo - e como ela é ainda tão apreciada pelos muitos que nos visitam e trazem na alma a vontade de descortinar o nosso passado através dessa monumentalidade...) batiam alguns corações batidas mais fortes, mais fortes que no comum dos dias, por causa da emoção de ver partir um ente querido, mas também batiam batidas mais fortes por estarem aliviados com o alívio da dor do finado... Só faltou ver nessas batidas de emoção a exuberância da fé em acção, da esperança avivada, da confiança inabalável de que há futuro após o decesso físico, da derrocada do edifício, que é pó, que, afinal, há vida depois da morte! Tão conformistas estamos nós, os da fé cristã, quando nos dá contentamento a mera fórmula condicional de que Deus, que é misericordioso, levará em linha de conta a nossa linha benfazeja sobre a qual construímos o percurso de vida… e nos receberá no seu seio paternal par sempre. Bem quereria ter ouvido, estando ali solidário com os que sofriam a separação, que o céu ganhou mais um cidadão (por graça, por favor imerecido, pelos méritos de Cristo, pela fé neles…) e que espera por nós, não tarda… Tão cinzento o discurso da fé como o dia lá fora!
Voltei ao meu canto, para ler um livro – para ler o jornal já era tarde, as notícias já tinham requentado nas múltiplas repetições das TVs… – aproveitando a ténue luz solar dum dia cinzento e triste, tão triste que antecipou a noite... Está agora o Mosteiro vazio, como vazios estão os corações dos que viram partir o mais velho, um bocado também de nós, que nos irmanamos na nostalgia da nossa terra, da Angola dos nossos sonhos, que agora segue o seu destino apesar de um dos seus já não estar presente...
Não sei se fiz mal, se fiz bem, mas senti-me ao lado do
Deixo um abraço, hoje tão triste como o dia cinzento que não deu brilho aos Jerónimos.
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