Ontem, quando partilhei com alguns amigos o meu primeiro contacto (não será o último, mas não vou a correr comprar o livro… há-de baixar para preço compatível porque não prevejo que a polémica lhe permita vender 50 mil exemplares… já foi tempo em que vender 100 mil era fácil…) com a obra última de Saramago, a tal que se designa CAIM (uns acentuam, outros não; parece que Saramago escreve CAÍM na capa…), ainda não conhecia o teor das declarações do dito cujo, que é Nobel da Literatura, acerca da natureza da Bíblia e das suas consequências (nefastas, no seu entendimento) para a Humanidade. Seríamos diferentes, segundo ele para melhor, se não houvesse essa «coisa», escrita durante mil anos, que põe na cabeça das pessoas, entre outras coisas, que deus (eu grafo Deus, ele deus) criou tudo o que existe em seis dias e depois descansou… até hoje, porque não se interessou mais pela criação, incluindo o Homem. Entre outras afirmações, designadamente as que se referem a Deus como uma ideia na cabeça de cada pessoa (fora dela não há Deus…) e à barbárie que a Bíblia proclama, no fundo «retratando» o que o homem é em si mesmo, o senhor, proclamado pela Academia Sueca Nobel da Literatura, lá foi vociferando o que quis, do alto da sua cátedra, acerca dos malefícios da ideia de Deus e das cruentas experiências que a Bíblia relata, umas quantas levadas a cabo a mando de Deus…
No meu texto dizia o seguinte: «(...) Andando, deparei-me com a novidade da Caminho, o Caim, de Saramago... Li a contracapa e achei esquisito que transcrevesse um texto do Livro Aos Hebreus, do Novo Testamento, indicado o respectivo capítulo e verso. Abri o livro e fiquei chocado (embora deste Nobel da Literatura se possa esperar a maior falta de respeito seja por quem for... tem um elefante na barriga... ou um convento no memorial...) pois no interior, logo na folha de abertura, transcreve o mesmo texto e diz que o citou do «Livro dos Disparates» (acho que é assim que ele designa aquele livro do Novo Testamento...). Passei de imediato à leitura e fiquei-me pelo primeiro parágrafo. Simplesmente chocante... E mais não digo (porque também não li...) até que tenha coragem para enfrentar o homem, cara a cara, lendo-o desconfiadamente e esperando a par e passo uma enormidade contra os valores
«PS: Se gostam de Saramago como escritor, comprem CAIM; se, como leitores, estão habituados a ser respeitados pelos autores, pensem duas vezes (mesmo que, no caso, não sejam nem cristãos nem judeus... apenas leitores a quem ninguém falta ao respeito...)».
Alguns dos meus amigos, reagindo ao meu texto (afinal um extracto duma crónica destinada, em primeira linha, aos meus amigos da SanzalAngola, onde debitamos conversas) deram-me alguns sinais, que merecem reflexão, quer cada um de per si, quer integrados numa reacção possível à atitude do dito literato. Ei-los: «Confesso que nada li sobre "O Caím" de Saramago, apenas ouvi dois ou três disparates no noticiário. O que se me oferece dizer é que pela sua idade não lhe faltará muito tempo para se encontrar com a Realidade que agora despreza, todavia será já tarde demais para reparar os seus erros, preocupa-me, contudo, a sua influência nos incautos. Por um lado, gostaria de o ler para ver o verdadeiro alcance de tais abusos, mas, por outro, hesito para não favorecer os seus lucros, enfim ainda não sei que fazer; mas gostaria de o ler, para denunciar e refutar, com fundamento, tais brutalidades, é facto.»
«Detesto esse escritor» - escreveu outro. «Estamos demasiado calados face a estes ataques diabólicos contra o Livro que amamos como Palavra de Deus» – considerou o terceiro amigo meu.
Cito outra reacção: «Quando ouvi as "Barbaridades", deste senhor, lembrei-me das palavras, do comandante do Titanic... e todos sabemos, o que aconteceu ao TITANIC! Misericórdia, Senhor! Palavras de JESUS: "Pai, perdoa-lhe, porque não sabe o que faz e o que diz"»
E, finalmente, escreveu outro amigo meu: «Infelizmente calhou a Portugal albergar Saramago. Não lerei Caim. O meu dinheiro não alimentará a cascata de disparates que esse senhor escreve sobre a Bíblia, que é a Palavra de Deus. Lamento-me porque comprei o livro dele, "Evangelho de Jesus Cristo" – que não cheguei a meio da leitura. O Senhor o repreenda! Tem magoado a alma dos verdadeiros cristãos, esse aprendiz de escritor. São sinais dos tempos».
Dir-me-ão: Reacções religiosas, de pessoas crentes, que tomam a Bíblia Sagrada como Palavra de Deus. Certamente. Saramago sabe que são milhões os que tomam a Bíblia como tal e que fazem dela (ou da mensagem que ela própria é) a sua referência ideológica, que estrutura o seu pensamento, a sua mundividência, terrena e para além da vida terrena. Não é pouco! Por isso, pôr em causa, gratuitamente, sem o mínimo de consistência argumentativa (apenas alardeando o seu ateísmo totalitário, bebido na cartilha mais retrógrada do marxismo-leninismo, ideologia que justificou a mortandade que todos conhecemos, menos o senhor Saramago, que nestas e noutras coisas se faz de ignorante, sendo-o, verdadeiramente, em relação à revelação bíblica, que apenas treslê na sua literalidade, sem preocupações de exegese séria, para a qual, aliás, nem sequer está preparado, como bem anotou um distinto dignitário da Igreja Católica, que ele, avesso ao contraditório, logo apelidou de frívolo…).
Ignoro se esta investida contra a «ideologia cristã» faz parte dum «plano publicitário» para vender a obra Caim. Se faz, está errado. Porque não respeita os valores de muitos milhares dos seus concidadãos, porque não mudará as convicções dos que crêem em Deus, porque lhe bastava escrever bem, sobre o que quisesse, no exercício pleno da sua liberdade, – mesmo contra a Bíblia e não seria o primeiro (nem o mais eficiente…), nem o último – sem se valer da projecção pública que tem (não merece, pelos exemplos de arrogância que tem dado, que os microfones do mundo lhe projectem a maldade intrínseca contra as coisas de Deus…) para vilipendiar sem apelo nem agravo (aqueles que ofendem não têm por hábito retaliar, preferem conclamar atitudes de perdão para o ofensor…).
Mesmo assim, eu vou, como disse, ler «CAIM» … mas depois de comprá-lo a preço módico! É a minha única atitude de «vingança»! O lucro certamente ser-lhe-á garantido pelos ateus, como ele, e pelos que se revêem nestas diatribes inconsequentes que demonstram que quem aprendeu as ideias totalitárias disfarça mal a tendência para desrespeitar os outros…
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