quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A propósito da carta (ainda) sem resposta.

Alguns amigos ficaram solidários comigo e manifestaram mesmo disponibilidade para «levar a carta a Garcia», querendo, para tanto, conhecer o destinatário. Por ora não é possível, por razões de natureza pessoal, que não de ordem legal. A carta é minha, não lhe firmei qualquer confidencialidade e, quando se reporta a factos, é verdadeira, quando se movimenta na subjectividade, resulta da análise mais séria que fui capaz de fazer sobre uma situação que tem tanto de dramática, quanto de nonsense…

Tratando-se, como se trata, dum tema delicado e que envolve duas pessoas (mãe e filho, já que a filha, engenheira, se reconciliou com a mãe), separadas desde 1972 (nessa altura, quando o pai o separou da mãe, já tinha ele cerca de 15 anos), apesar de tudo, chegará o tempo em que «outros Garcias» farão chegar, esta ou carta de idêntico teor ao destinatário, apelando-lhe a que dê uma única (única, já não impetro mais) oportunidade ao amor de mãe (estando ela velhinha na idade, está quase virgem no amor que tem para dar).

Nas próprias palavras dela (sic), escritas pelo seu próprio punho há não poucos anos, eis o que de relevante podemos conhecer, agora, sobre este drama:

«Queridos filhos, (…) e (…), que a Paz de Deus reine em vossos corações, e que se encontrem bem de saúde, na companhia do vosso pai, é o que vos disejo, eu pela Graça de Deus cá vou indo como Deus permite, com a Paz de Deus no coração mas com muitas saudades vossas, porque nunca sairão nem vão sair até que vossês não voltem para casa, eu quero que vossês saibão que o meu amor por vós, e as saudades cada vez aumentão mais, mesmo vendo com os meus olhos, e houvindo com os meus houvidos, tudo quanto se tem passado e dito contra mim com mentira, o meu amor por vós é o mesmo, e que saibão que nunca vai mudar, porque sou vossa mãe, e o amor tudo sofre, e tudo suporta, e estou esperando que Deus vos abra o entendemento para que possão ver toda a verdade, e então vão compreender que a vossa mãe não é aquela mulher que vos têm descrito na vossa cabeça, nem tão pouco defamei fosse, quem fosse, mas sim quem me acusa, essa sim, todas as defamações que ela vos meteu na cabeça acusando-me que fui eu que disse contra vossês, e o vosso pai, foi ela que me disse para mim e para mais alguém, acusando o vosso pai de tudo isso, e muito mais, mas como eu nunca aceitei essas acusações, então resolveu fazer ao contrário, e assim vos enganou aos três e conseguiu desmanchar o nosso lar, mas Deus é grande, e vai por tudo na luz e fazer justiça, que é isso que eu peço a Deus, e então vossês vão saber quem é a vossa mãe, quem é que fala verdade, quanto eu vos amo, quantas lágrimas tenho chorado, por vossês, que tenho a minha saúde arrombada por tanto sofrimento e calunias que me têm posto, e mesmo assim continuo a amár-vos da mesma maneira, e vossês sabem que fiz tudo quanto estava ao meu alcance para vossês virem para casa, não quiserão, até me tratarão mal quando fui lá à loja e não me deixarão entrar, nunca fui buscar nem um sentavo do que me pertence, para vossês se poderem sustentar, e estudar, com a minha metade, porque vossês sabem que metade é meu, sabe Deus as dificuldades que eu tenho passado, mas Graças a Deus que me tem ajudado, e hoje, posso dizer, e vossês também sabem que é verdade, que se vossês estudarão, e são o que são, foi com a minha metade, e agora têm gásto, o que têm gásto no Tribunal foi porque quizerão ir para lá, porque vossês sabem bem que é tudo mentira aquilo que me têm acusado, acho que já é tempo de abrirem os olhos e verem a verdade, e não gastarem o dinheiro naquilo que não é pão, porque um dia pode fazer falta, e Deus sabe, e vossês, e o vosso pai, também sabem, que eu nunca conheci outro homem na minha vida, e graças a Deus sou respeitada e estimada por toda a gente que me conhece, tanto familia de parte, a parte, como outras pessoas, porque já aqui moro desde solteira e não ando dentro de nenhum saco, por isso tenho a minha consciencia tranquila que tudo que me acusão é mentira.

E agora vou terminar muito mais tinha para vos dizer, mas espero ser breve, quando quizerem estou ao vosso dispor, com o coração, e amor, e os braços abertos para vos receber, e pronta para tudo que vos seja preciso, disejando-vos as mais ricas bênçãos de Deus, muitos beijos da vossa mãe  muito amiga que não vos esquece (…)».

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