Anda-se muito depressa, Senhor, quase à velocidade do pensamento e, por isso, muitos já nem se lembram do evento que celebraram há não muito tempo! Por tradição recordam a morte e ressurreição do Messias, o Enviado, o Salvador... mas não passa duma tradição vã, de simples ritual religioso.
Afastam-se com facilidade do vero motivo da celebração pascal: Jesus está vivo!
Estes tempos racionalistas, incréus, facilitam que se acendam as luzes da festa, que se atire o foguetório no arraial, que se entoem aleluias, muitos aleluias, que se evidencie a pompa própria da magnificência da religião, que se adoce o espírito comercial inerente... Mas, quando se trata de lidar com o facto verdadeiro, que é, afinal, a razão de ser das celebrações – Jesus está vivo! - os intérpretes dos ditos tempos apressam-se a dizer: nem pensar, isso não cabe na cabeça do homem do terceiro milénio, isso é crença de gente acomodada, que não quer pensar, não faz para isso esforço nenhum, está instalada no lado cómodo da fé...
Pois o fundamento primeiro da fé – sem o qual tudo é inútil, vão... – é que Jesus ressuscitou para ser o Sacerdote do nosso culto racional, o único meio pelo qual se pode chegar a ti, Deus Pai.
Dar loas e de seguida virar as costas, indo para longe d’O ressuscitado de modo a não poder ouvi-lo "falando do que respeita ao reino de Deus", é o mesmo que passar para o terreno dos incréus disponíveis para novas celebrações, quem sabe no ano que vem...
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É nosso privilégio, Senhor, viver a fé depois do acontecido! Do sepulcro novo de José de Arimateia já o Teu filho saiu, vitorioso, ganhando à morte. Mas os nossos irmãos, homens e mulheres de fé, que aguardavam a redenção, dão-nos lições preciosas: tinham a promessa de que enviarias o Messias e viviam dela, crendo, sem vacilar. Viviam na esperança do cumprimento da promessa.
Como aquele homem que, tomando o menino nos braços, disse-te: «Podes despedir em
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A apologia do efémero dá no que dá...
Custa fazer um esforço para sustentar convicções, cimentar valores, pugnar pelo perpétuo? A união de dois seres (falo das que dão continuidade à espécie...) tem que estar, à partida, sujeita à contingência do "dar certo ou não dar", dependente "do quero e não quero", ao arbítrio "do que agora me faz mais feliz"? Não pode assentar em pilares de confiança, cedência, atracção, colaboração, vontade de manter o vínculo assumido em voluntariedade, firme, afinal, no amor que se constrói e vai substituindo a paixão, que esmorece naturalmente?
Pois é... o efémero como modismo hedonista: o que vale é o que dita o "corpo", aquilo que em cada momento o "faz feliz"... É mais fácil destruir do que erigir e manter de pé.
Ainda hoje me parece bem sustentar (não apenas teórica e abstractamente...) que vale a pena pugnar para que durem as nossas relações se possível... para sempre!
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