sexta-feira, 7 de maio de 2021

Só palavras…


Vi hoje um homem de rastos

catar palavras certas no lixo:

difícil em blá blá prolixo!

Em afã mirava retratos

de gente de fato e casaco:

estava estupefacto!

Títulos, fotos, desgraças

impressas em livros e jornais:

excessivos e quase anormais!

Rasga esta, rasga aquela

tantas palavras sem sentido:

verdade e desmentido!

Soerguendo-se bem cansado

eis-lhe um sorriso nos lábios:

palavras mas não de sábios!

A ilusão daquele homem

Está no sangue de muita gente:

Se é engenheiro é decente!

Voltará de novo aos despojos

à procura do seu destino:

encontrará palavras sem tino!

Agora não são d’engenheiro

o que não provoca dissabor:

estão erradas, são de doutor!

Para dar-lhe o meu conselho

Pedi antes assentimento:

Aqui não, só no parlamento!

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