terça-feira, 3 de abril de 2018

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II

É por causa de João Sequeira Hipólito que vamos à Ermida da Rua da Verónica! Um forma singela de também recordar o centenário do nascimento do jovem lisboeta, que foi aventureiro, destemido, capaz de enfrentar vicissitudes fora de casa, em país estrangeiro, em ambiente hostil e às portas da mais sangrenta guerra civil europeia. Do jovem inquieto à procura de quem, como ele, visse o potencial da aplicação dos dons carismáticos na vida espiritual em descoberta, que encontrou, na resposta do sapateiro adventista, a crítica da acção dos que «tinham o dom do Espírito Santo», algo que espevitou, como o próprio referiu, o seu desejo de verificar isso por ele próprio e, dessa maneira, chegara à Rua da Verónica, à capela católica romana transformada em salão de culto ou Casa de Oração…

Estávamos em 1935. Em noite invernosa, caminhando encostado aos velhos prédios do Largo de Santa Clara, na cidade de Lisboa, entrou nessa velha Ermida, onde estava uma dúzia de pessoas crentes e a reunião de culto a decorrer sob a direcção de um evangelista - que veio a saber chamar-se Alfredo Rosendo Machado - cujas orações e mensagem eram intercaladas com aleluias e louvores a Deus.

Ele foi, na verdade, dos últimos verdadeiros líderes fundamentalistas do Movimento pentecostal (MP) «gerado» na Rua da Verónica.

Nada havia que fosse entrave à acção do Espírito Santo pelas mãos deste jovem talentoso, destemido, que via para além da linha do horizonte comum o avanço da pregação do evangelho total - que aceitara, publicamente, na Rua da Verónica - línguas estranhas, cura divina, sinais, prodígios e maravilhas.

Não tardou nada e passou a ter um papel relevantíssimo na «conformação» dos valores próprios da juventude pentecostal, formatados na base da visão que tinha da comunidade reunida na Rua da Verónica, própria também do «cinzentismo social» português e, em particular, das classes operárias, homens e mulheres do campo, do pequeno comércio e serviços das cidades, que constituíam a grande maioria dos que responderam positivamente ao convite para seguir Jesus Cristo nas Assembleias de Deus que iam surgindo um pouco pelo país inteiro.

Foi sobre o seu percurso Pentecostal que escrevemos e queremos apresentar o resultado exactamente ali, na Ermida, onde então se deram os primeiros passos dos pentecostais na Capital do País.

Fazê-lo lá tem grande significado simbólico para quem nunca esteve no seu interior e conhece a história, mas também para quem só tem breve notícia do que ali aconteceu há cerca de 83 anos.

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