Dia em que se comemora a Restauração da Independência (é a designação dada à revolta iniciada em 1 de Dezembro de 1640 contra a tentativa de anulação da independência do Reino de Portugal por parte da dinastia filipina, e que vem a culminar com a instauração da Dinastia Portuguesa da casa de Bragança.).
Sei isso dos tempos da escola primária. O evento foi-me transmitido com entusiasmo patriótico pela minha professora:
Todas as classes – o clero, a nobreza e o povo – se sentiam oprimidas pela denominação estrangeira. O comércio estava paralisado; a agricultura e a indústria, arruinadas; os armamentos portugueses eram levados para Espanha; os impostos eram cada vez mais pesados.
Tendo-se revoltado a Catalunha, província espanhola, ordenou o Governo de Espanha que tropas portuguesas fossem combater os revoltosos. Ora, esta ordem deu grande impulso às ideias de independência, que dominavam já em Portugal.
Presidia, nesse tempo, ao governo do Reino, como regente, a duquesa de Mântua; o secretário de Estado era português traidor Miguel de Vasconcelos.
Formou-se então uma conspiração em que entraram muitos fidalgos: D. Miguel de Almeida, D. Antão de Almada,
Tudo estava preparado.
Finalmente, no dia 1 de Dezembro desse ano de 1640, rebenta a revolução, que triunfa em Lisboa. (…)
Estava restaurada a independência de Portugal (livro de Leitura para a 4ª Classe em vigor no longínquo ano de 1960).
É feriado nacional!
Não se faz nada pela independência da…Pátria! E, como é sabido, se não trabalharmos mais, se não granjearmos mais riqueza, para além das «ordens» de Bruxelas, submetemo-nos à ao domínio (por ora económico…) da… Espanha. Terá valido a pena ter morto o traidor? Valeu, mas temos que fazer pela vida: não soubemos, como Povo, preservar o Império (não tivemos unhas para tamanha viola…), através de alianças duradoiras, talvez, como Povo, não estejamos a preservar a independência de Espanha… trabalhando mais!
Nem sequer sei se houve festejos a propósito da Restauração da Independência. Não li jornais, não vi Televisão, não ouvi rádio e sei que os dignitários portugueses (a nobreza de hoje, a classe política que nos rege…) estão entusiasmados com a cimentação da amizade e colaboração ibero-latino-americana…
A minha celebração patriótica, silenciosa, só para dento, foi na praça Du Bocage, em Setúbal. O dia estava chuvoso, a praça deserta, mas bonita, e o poeta desprotegido da intempérie. Mas parece que o ouvia declamar, debochado, contra todas as pudicas maneiras de celebrar a independência… Mais a sério, achei-lhe graça, mas que a independência patriótica de 1640 já nos diz pouco, lá isso diz…
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