sábado, 17 de outubro de 2009

O pretexto é o team mórmon…[1] [2]

Estou-me a ver na pele dos elementos da equipa dos «meninos de Deus» que, diante da argumentação dum ateu (?), dentro da sua casa, apontando para a extensão da sua biblioteca – onde tem em destaque a foto do pioneiro do evolucionismo – sustentando que José – autor (melhor, tradutor, do Livro de Mórmon) – era um homem comum e que inventou essa história do livro escondido nas montanhas, onde Deus se revelava ao último do messias, ele próprio, Joseph Smith, ficaram atónitos e vacilantes.

Afinal o interlocutor sabia do que falava e confrontava uma «teoria» com outra «teoria». No confronto de teorias, normalmente vence aquela cujo caudal argumentativo fluiu mais facilmente. Como é evidente, esses propagandistas estão preparados para vender o produto, evidenciando-lhe as vantagens comparativas – os mais radicais têm-se por vendedores exclusivos do produto de valor absoluto – e fugindo das suas debilidades (quando as admitem, em tese, porque quando, para eles, inexistem, fogem da hipótese como «o diabo da cruz» …). Se o vendedor tem o evolucionismo, por exemplo, para «vender» e acredita, piamente, que o Homem rastejou milhões de anos a fio, antes de se erguer e tirar «as patas» do chão, e para ele não há outra forma de compreender a existência, e o «comprador» recusar o negócio e, por iniciativa sua, lhe propuser a venda do criacionismo, de duas, uma: abandona o «negócio» por ter ficado confundido (com falta de fé, porque ser evolucionista é, também, uma questão de fé…), ou recicla-se e insiste no negócio, agora sabendo que há quem, apesar de não lhe comprar o produto, se propõe vender-lhe outro pretensamente melhor…

Isto para dizer que, às vezes, os vendedores não ganham nada em ser tão assertivos: ou isto ou nada! Se quisermos transportar este «debate» para o campo das crenças de cada um, obviamente que cada qual ficará com a sua… Terá mais sucesso aquele a quem quiseram transformar em «macaco», vendendo-lhe o evolucionismo, e conseguiu que o vendedor lhe comprasse a ideia de que estava ali, com aquele aspecto lavadinho, inteligente, capaz de falar, raciocinar, porque fora no início um monte de pó, moldado à maneira, no qual soprara o Criador o «espírito de vida» … (Ainda se lembram do homem que entrou para vender um aspirador e, à saída, além do aspirador, trazia debaixo do braço o livro que comprara!? Pode muito bem acontecer que o evolucionismo não seja a resposta completa, ou não seja mesmo resposta nenhuma, e o «livrinho» sobre a acção criadora do Divino venha a fazer jeito…)

Por mim, acho que há espaço para ambos os «produtos». O que não há é pachorra para comprar as pseudociências que mais não fazem do que promover teorias que não se demonstram a elas próprias. São aceitáveis apenas como instrumentos do Homem se «descobrir» a si próprio, mesmo que, no fim do processo, caia nas mãos de… Deus! Nessa evolução eu acredito: a procura livre, feita por homens livres – à partida agnósticos, ateus ou crentes, não importa – do sentido do Mundo e da existência de cada qual. Cada um por si, sem prejuízo de concluir cada um a mesma coisa ou coisa diferente, de concluir que veio do «nada» e agora é o que é e ainda não sabe o que há-de ser, ou veio das mãos do «artesão» de tudo, desde a génese triuno (corpo, alma e espírito), e que, ele e qualquer outro da espécie, será sempre assim (com mais conhecimento, com mais isto, com mais aquilo… mas Homem, como no início de tudo!)




[1] O texto é confuso, confesso. Não quero, porém, dizer outra coisa senão que podemos ser evolucionistas, criacionistas, ou outra coisa qualquer, com toda a liberdade. Isso não impede que cada um (eu, por exemplo) faça opções de fé e, coerentemente, sem descurar a debate «científico», se assuma como «obra das mãos de Deus». Nesta particularidade residirá a diferença entre a aceitação do outro, com tolerância, e a radicalidade que impõe (aos outros) o que temos por adquirido (mesmo que apenas por fé o tenhamos por adquirido…).

[2] Foi o Hélder quem contou a experiência com o team mórmon, a qual suscitou esta minha pequena «reflexão», que, oportunistamente, foi retomar o fio das várias intervenções sobre o evolucionismo que, eloquentemente, introduziram nas conversas dos vizinhos deste sítio.

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