Relacionamos dois factos, neste contexto recordatório, que se pretende com os laços d'Ontem: um amigo (amigo no sentido de que partilhamos emoções, saberes... não necessariamente amigo de convívio próximo, de partilha da mesa, da fé, das dificuldades...), que vive e trabalha no Canadá (terra da sua opção depois da retirada da terra da sua naturalidade, a Angola dos nossos corações), dedicou-se, anos a fio, a recolher fotografias e postais ilustrados da sua terra, de Angola de Cabinda ao Cunene, relativas a mais de um século de vida! É obra louvável, fruto do seu labor das horas de descanso. Amavelmente enviou-me, a expensas suas, um CD com cerca de 12.500 fotografias! Só visionei umas centenas, relativas às cidades e vilas que mais me tocam, ainda hoje, pelo significado que cada uma delas tem no meu percurso d'Ontem. «Andei» pelo Ambriz dos anos cinquenta, sessenta e setenta, 2005... (pessoalmente «vivi» no Ambriz cerca de um ano: de Abril de 1972 a Fevereiro de 1973) e fiquei impressionado com o mar, a foz do Loge, as salinas, os espaços físicos em que gastei esse tempo (foi preciosa a experiência no Ambriz: li como nunca tinha lido!) da minha juventude. «Andei» por Ambrizete, onde me senti um estranho no ambiente que por lá se vê: decadência, decadência... Até a baía está triste, desconsiderada e só os barquito de pesca artesanal lhe dão o sentido que outrora também tinha... Em Ambrizete, do que me lembro, dormi pela primeira vez num Hotel, com ar condicionado...
Da Terra Nova à Nova Terra (a Jerusalém celeste da nossa esperança...) vai um pulo, um pouco de tempo. Antes que que saltemos, antes que o tempo que falta decorra, ao meu amigo não vão faltar oportunidades (muitas, muitas...) para relembrar, como eu relembrei, a cor do pó da Terra Nova, os cânticos que entoámos por ali, as festas que celebrámos... São os laços que nos atam, que ainda nos amarram aos valores que conquistámos e que não se perderam. Que viva, com muita saúde, por muitos mais anos (todos quantos Deus quiser) o homem que tanto plantou as sementes do muito que hoje perdura no catálogo dos valores que asseguram o meu futuro!
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