domingo, 12 de julho de 2026

Está tudo em aberto...


    Meu caro Elias, às vezes não me ocorre a resposta adequada às questões que colocas... Disse-te que continuava a escrever quando me interpelaste sobre o rascunho de que te tinha falado. Mas não era exactamente isso que devia dizer-te. De facto, depois da interrupção prolongada, por razão da nossa ausência em Espanha, a desfrutar o sol e a praia, na companhia de conhecidos, devia ter-te dito que «arrumava papéis» para encontrar estímulo para reatar o trabalho...

    Não imaginas o suplício que representa recomeçar diante de um amontoado de palavras que fui redigindo ao longo de meses. É medo de não encontrar o fio à meada, de considerar o plano de trabalho inapropriado, de já não fazer sentido o próprio projecto em si.... Estou, verdadeiramente, no instante da incerteza, naquele estado em que parece mais apropriado abandonar tudo...

    Para continuar a ser sincero, estou com dores horriveis, daquelas que não doem no corpo - só na própria mente criativa que se menospreza assumindo que está tudo dito, que o tema não interessa senão ao próprio criador...

    Não sei se vai haver um clique que mude este estado d'alma! Tu sabes que a minha energia vem sempre dum impulso inopinado que não posso deixar arrefecer... A ausência, o tempo dela, a inércia associada não ajudam a reabrir a alma para enfrentar os monstros que a insegurança gera e alimenta...

    Vou tentar começar de novo a juntar palavras; talvez encontre nessa adicção o caminho mais difícil que é começar a subtrair, o mesmo é dizer, a fazer o trabalho duro de rejeitar o excesso em busca da síntese que é já algo de legível, esboço do que pode ser a «conta final»...

    Vai-me interpelando sobre a escrita, vai... Pode ser que isso represente uma pressão criadora...

    Abraço.

    José Mnauel Martins


Sem comentários:

Enviar um comentário