quarta-feira, 29 de abril de 2026

Pode ser que aconteça um milagre...

 

Pode ser que aconteça um milagre...
Estou a pensar nos cidadãos que, pela primeira vez, já em idade madura, têm de socorrer-se das instituições policiais ou judiciárias. Pessoas honradas que agem com bom senso e não acreditam que o «mal» lhes bata à porta... Comunicam abertamente nas redes sociais, onde têm reputação imaculada...
Um dia, alguém tem necessidade dum bom nome e imagem para umas falcatruas. Vai e «rouba» o perfil desse cidadão honrado e, em nome dele, garante um bom rendimento em burlas...
Sempre imaginou que as regras estão feitas para resolver a situação, sem mais delongas.
Vai à polícia, apresenta queixa, quer a situação no status quo ante, imediatamente. Chega a casa a pensar no mal que, afinal, anda por perto e não está só na histórias que ouviu contar... Mas a polícia tomou boa nota. É a primeira vez, confia, o Estado protege o cidadão honrado. Conseguiu dormir, apesar de tudo. A polícia ajudou-o a mudar as credenciais, falta só apanhar quem tão mal lhe fez para o fazer pagar, inclusive os danos morais, a mancha na reputação... Foi dormindo descansado...
Até que... o carteiro lhe trouxa a missiva em que leu que devia constituir-se assistente, pagar taxa de justiça... Foi a correr para falar com a polícia, com a inspectora que fora tão solicita, tão cidadã, tão profissional. Não, não podia recebê-lo. Mandou dizer que abrira o inquérito e que, agora, era com ele. Comigo?! Como? Foram uns cavalheiros, seguranças privados (parece que sim, que o edificio onde estava a polícia tinha segurança...privada...), que lhe disseram que o melhor era ir não sabiam aonde, que lá lhe resolveriam o assunto... Uma Secretaria-Geral qualquer. E o cidadão a clamar que nunca esteve numa situação assim, isso enervava-o, pedia desculpa, sabia que o queriam ajudar... Mas a inspectora?! Então não me tinha tranquilizado, sido simpática... Mas não recebe, quer que eu pague... Não fiz nada de mal, roubaram-me a identidade, estou a ser vilipendiado...
Estava o ambiente assim quando alguém se aproximou, num sítio público, onde o Estado manda, e disse aos seguranças que não era da competência deles informar o que quer que fosse... e ao cidadão: «Estou aqui com uma cliente, posso recebê-lo no meu escritório e ajudá-lo...» O cidadão sentiu-se amparado, lá compareceu, deixou o dinheirinho para a taxa de justiça, mais um dinheirão para o início do trabalho do seu advogado...
Agora não dorme bem, não sabe quando apanham quem lhe fez mal, ainda não reatou a normalidade nas suas relações sociais, já abriu os cordões à bolsa... A vida está a andar para trás!
O pior é que o advogado, que surgiu do nada, lhe deu alívio na ocasião, ainda não lhe disse quando é que a coisa termina, como é que vai agir, que papel lhe cabe como queixoso-assistente, quanto vai ter que investir ('), isto é, pagar...
Espero que tenha sorte!
Que o advogado seja mesmo «um anjo», que se gere uma boa relação de confiança...
Não costuma acontecer isso - um advogado saído do nada, oferecido... - quando os cidadãos não escolhem livremente o seu patrono! Mas o cidadão aceitou a mão que lhe foi estendida porque quis... Estado de necessidade!
O "desastre" vai acontecer quando o cidadão souber (se for o caso) que o roubo foi perpretado por uma máquina, algures num lugar recôndito do Globo ou por um Hacker que usa um nome falso, talvez dum morto, ou por um bandido de vão de escada que não tem onde poisar a cabeça....
Afinal, é um cidadão honrado e gastou uma fortuna como Assistente que exigia mão técnica de advogado...
Moral da história: Não acredite que no mundo só há pessoas honradas, que as coisas más só acontecem aos outros, que a polícia tem solução para os casos como o seu, que há almoços grátis, que um advogado que surge do nada e lhe oferece os seus serviços é um benfeitor...
Se o mal lhe acontecer, e quiser fazer valer o seu direito, construa uma relação de confiança com um profissional escolhido por si!

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