domingo, 12 de março de 2023

JCM , referências a Benguela...



    Andei por aí, às voltas com os "meus papéis", para tentar encontrar algo que pudesse ajudar a esclarecer a questão que me foi apresentada.
    O que é seguro é que JCM e Srª Stark, pelo menos durante cerca de um ano (1949/1950), evangelizaram em Benguela enquanto não deram rumo às suas vidas. 
    Benguela foi a cidade estratégica por duas razões: aí, JCM encontrou amigos e trabalho e conheceu a missionária americana. É o próprio JCM que afirma ter alugado uma casa no centro da cidade e ter reservado um espaço para fazer reuniões de culto/evangelização (pag. 56 do seu livro Memórias).
    Houve, de facto, no núcleo que aí conseguiu agrupar, um baptismo - o da Maria Paulo, que ainda é viva e está por Portugal (já tive o gosto de estar com ela, pessoalmente). Depois, ela radicou-se no Quirimbo, como professora.
    Não há notícia de que o grupo de Benguela dessa altura tenha permanecido e dado ligar a uma igreja local, com responsável ministerial (pastor, evangelista, presbítero, o que fosse). Sabemos que, na Província de Benguela, havia muita presença missionária doutras origens e que, depois de 1950, muitos crentes das Assembleias de Deus da Metrópole se fixaram na região e assinavam, por exemplo, a revista Novas de Alegria (alguns assinantes foram mesmo angariados pelo M. JCM enquanto andou por Benguela, especialmente entre os de origem europeia). Um indício de que não permaneceu nenhuma igreja pentecostal em Benguela é o facto de, em 1969, Aguiar Cardoso se ter encontrado com Israel Coias Pires e, até essa data, não haver notícias de contactos dos membros do Cuanza Sul com outros núcleos de pentecostais.
    De facto, não os havia fora de Luanda. Apesar das referências que já se fizeram sobre os que foram baptizados, em Benguela, como primeiros membros da Assembleia de Deus em Angola, isso não é verdadeiro. Depois do baptismo da Maria Paulo não há, que se conheça, quaisquer notícias sobre outros. Certamente, houve-os mas noutras comunidades cristãs ligadas às missões no terreno, sem relação com o trabalho pioneiro de JCM/Strak. 
    Foi já nos anos 70, com a acção pentecostal, em Novo Redondo e Nova Lisboa, que se alargou o trabalho ao Lobito e, naturalmente, a Benguela. Penso que só se poderá falar de igreja pentecostal, AD em Benguela, em 1973/75, a partir daí com organização e responsáveis locais.
    Evidentemente, não tenho novas fontes em relação às que usei para escrever Recantos do Mundo (já lá vão quase 20 anos!), salientando que as Memórias de JCM foram publicadas depois. No meu livro, há referências a Benguela a págs. 121 a 127, 176, 235, 279 e 320. São todas no sentido de infirmar qualquer igreja local organizada. Na obra de JCM, pág. 56, há referência a esse núcleo organizado por ele e Stark, em 1950, na sua própria casa.
    É o que posso dizer. A mim, Benguela recorda o facto de ter oferecido à igreja local (Pr. Prata) o valor do que correspondia aos direitos autorais daquela obra. Na altura, ninguém soube dizer-me quem pudesse recebê-los no Cuanza-Sul. Diziam-me que estava tudo na Igreja Maná. Aquela importância foi destinada ao apoio duma missão de cuidados sanitários infantis. Foi nisso que acreditei.

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