14 de janeiro de 2011 ·
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13 anos. Estudante. Estrangeira. Engravida. Toma chá para abortar. Vive sozinha o drama. A mãe descobre. Conta ao pai. Ele explode. Bate-lhe com um ramo de árvore. Manda-a para casa da tia. Aborta. Chora o pai, mãe, filhos... O MP imputa ao Pai um crime (2 a 5 anos de prisão). Na família ninguém quer o julgamento do homem... O crime é público. E agora?
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Comentários
- A violência é a pior forma de resolver problemas. E a verdade é que toda a família está a sofrer. Mas ainda bem que finalmente a violência é um crime público. Ninguém tem o direito de agredir outra pessoa, muito menos uma filha e na altura que mais precisava dele... Agora é muito tarde para voltar atrás...1
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- · 10 ano(s)
- Sem questionar que a violência é a forma bárbara de solucionar divergências, não podemos esquecer que há gerações de pais que foram educadas assim: «não cumpres, levas!». Muitos ainda não me esqueceram das reguadas da professora primária, nem das varadas nas orelhas da mestra que lhes ensinava a fazer os deveres de casa... Muitos ainda não esqueceram que o pai e a mãe os mantiveram «direitinhos» à custa duns tabefes, dumas cintadas, em casos mais extremos... Esses pais vivem por aí, são nossos concidadãos, não tiveram outro tipo de formação e não têm muita escolaridade. Mais. Vivem por aí, são pessoas íntegras, trabalhadoras, deram tudo pelos filhos, formaram-nos (alguns são doutores...) e não se arrependem da educação que deram aos filhos nem dos métodos utilizados (é comum ouvir dizer - aos filhos, claro... - que «só se perderam as que caíram no chão»!). Mais. Consideram-se pais realizados! Porém, para educarem, bateram! Paradoxo? Parece... Agora, um homem trabalhador, emigrante, de formação portuguesa, com cinco filhos, que querem bem educados, com valores, um dia chega casa, depois de 12 horas de trabalho, e ouve a mulher dizer: «A nossa filha está grávida! Não disse nada, anda a esconder e a querer abortar...». Que choque, para um pai! Em choque, errou. Já passou tempo, a filha está acolhida no seio da família, o pai superou, a família quer o bem da criança que engravidou... O pai na prisão é solução para quê e para quem?Gostava mesmo de saber se não há alternativas à natureza do crime, se as CPCJ não deveriam ser mais proactivas no acompanhamento de situações destas, ao contrário de se limitarem a cumprir o dever de «comunicação ao MP»...1
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- · 10 ano(s)
- -Outra perspectiva:Não será que alguns pais andam um bocado 'distraídos' naquilo que são as suas responsabilidades parentais?...[Subscrevendo na íntegra a tese que 'me antecede' - aqui - não deixo de pensar, também, naquilo em que, como pai de dois jovens adultos e já maiores, poderei ter sido menos 'perfeito' na minha "conduta educativa". Sendo certo que não há 'bitola' uniforme para 'julgar' situações deste tipo. Quanto às 'famosas' CPCJ, tenho uma experiência menos positiva... é por isso que, enquanto, docente sou dos que militam infatigavelmente para que os problemas que a Esola puder resolver é nela que devem ser resolvidos... Quantas vezes, no passado, fomos 'nós', na Escola, que fizémos 'as vezes' de assistentes sociais, psicólogos (que já os há e com carácter de 'permanência'), 'pais substitutos'... Mas os tempos mudaram, é verdade, e agora parece que há uma espécie de 'anestesia' colectiva para encarar, sem receios, aquilo que devem ser os limites da 'razoabilidade' e da 'decência'. Se calhar, a questão do 'crime público' deveria aqui ser equacionada numa perspectiva muito mais restritiva: quando estiver em causa uma 'conduta reiterada', que perturbe e destrua por completo a 'tranquilidade do lar'...Mais: há que saber se a menor que engravidou não terá sido, ela também, vítima de uma qualquer 'violência' com a qual não soube lidar ou não teve condições de repelir...Enfim: tema de ... 'pano para mangas'!Mas que convida - necessariamente - á reflexão.]Muita Paz.
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- · 10 ano(s)
- Vives situações como esta no teu dia a dia e compreendes melhor que ninguém o que passam as vitimas de violência, principalmente quando essas vitimas são menores.Comtinua o teu trabalho, nós precisamos de pessoas que atuem nessa área para reduzir o número de casos.Um abraço forte.
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