quinta-feira, 3 de maio de 2018
JSH - Apresentação
APRESENTAÇÃO
João Sequeira Hipólito. Pastor Pentecostal fundamentalista que procurava activamente a santificação.
Rua da Verónica, 31, Lisboa
28 de Abril de 2018, 16 horas
1. Este tipo de iniciativas só pode ter significado e relevância externa se quem tem a mesma comunhão de ideias participa! E hoje é-nos agradável verificar que as cerca de 5 dezenas de participantes nos vão garantir essa relevância «fora de portas». Sei bem que a motivação é seguramente diferente – há quem tenha vindo por mim, pela editora, pela memória de JSH, pela respectiva Família, e até pela...obra! Espero que todos façam algo pela obra, quiçá começando por lê-la e criticá-la pois espero aprender com a vossa crítica.
Obrigado por terem vindo!
2. Quem colaborou para ser possível escrever esta obra, obrigado! São todas as pessoas e entidades que incluo nos Agradecimentos, feitos na página 13. Até os que, interpelados, não puderam ou não quiseram colaborar, merecem o meu agradecimento. Obrigaram-me a maior esforço, mas também impuseram-me omissões. Talvez não mereçam ser colmatadas.
3. A dedicatória, nesta obra, não podia deixar de ser À Memória de Amável Faustino Pedro. O pastor Amável foi meu condiscípulo «aos pés de JSH». Ele seguiu o seu desígnio, até aonde aonde pôde, como Ministro do Evangelho, representado bem a geração dos jovens nascidos na década de 40 do século passado, adentro da lógica do pentecostalismo e que eram a promessa e garantia da continuidade da orientação reinante sob a supervisão da liderança sueca. Foi essa geração que sofreu o primeiro grande embate quando a orientação passou para o outro lado do Atlântico por via do domínio americano na formação de obreiros e do enfraquecimento sucessivo da liderança dos pioneiros – saída de ARM, 25 de Abril de 1974, doença e afastamento de TS, morte de JSH...
O Amável deixou-nos em 2 de Agosto do ano transacto, mas não esmoreceu em mim o exemplo de mansidão, patamar que não alcancei. Parece pouco e não ser expectável numa obra como esta, mas não encontrei, no momento, quem mais quisesse homenagear COM TANTO SIGNIFICADO.
4. Sobre a motivação para escrever o que escrevi, alonguei-me no prefácio e não é agora próprio desvendá-lo. Penso que será muito importante que a obra se vá revelando ao leitor na decorrência da leitura do prefácio. Sugiro que não vá, sofregamente, ao miolo. Leia calmamente essa introdução.
Este é um trabalho solitário, independente, sem compromisso senão com a verdade e o rigor. Surgiu espontâneo quando decidi escrever sobre MSM...
Tem um significado simbólico, a meu ver, pelo facto de querer ser uma memória para ficar na ausência de vontade política para assinalar a passagem do centésimo aniversário do seu nascimento.
5. Posso, no entanto, «desvendar-vos» o sentido próprio do Título, em especial a sua especificação:
Em primeiro lugar, quem foi JSH, pode ser lido a páginas 52 ( Os pais, o lugar, o tempo) 57, nota 12 (Família e condições sociais) e 135, nota 101 (Casamento e filhos);
Em segundo lugar, foi o primeiro Pentecostal. Leu as Escrituras, procurou antes dar satisfação às suas inquietações espirituais e depois querer estar com aqueles que tinham os dons espirituais; foi pastor na sua própria Igreja, quando foi reconhecido presbítero, e depois dedicou a vida inteira a esse múnus espiritual, fiel ao que aprendeu no princípio; foi diferenciador em relação ao cristianismo tradicional, católico ou reformado, e evangélico instalado: i) Na dedicação à expansão da Bíblia; ii) Na demonstração e vivência dos dons espirituais, em imitação dos tempos apostólicos; iii) Na forma exterior de representar a esses valores evangélicos; iv) no modo de aquisição de bens culturais, de expressão política, de intervenção social
Em terceiro lugar: fundamentalista. Não precisamos recear a termo. JSH afirmava-se fundamentalista, crendo literalmente em tudo quanto a Escritura revela quanto à criação do Universo e do homem, quanto ao pecado, quanto ao povo de Israel, quanto ao plano de Deus para salvação do homem, quanto à morte e ressurreição de Jesus Cristo, quanto à verdade da sua segunda vinda, quanto ao arrebatamento, ao milénio, quanto à necessidade da santificação, etc.
Em quarto lugar :a procura da santificação. A máxima de que «sem a qual ninguém verá o Senhor». A linha de exposição de JSH, marcando o fulgor evangelístico de que estava animado, era consonante com a ideia fulcral de que chegara o tempo em que, em Portugal, os cristãos evangélicos sabiam muito bem distinguir os que apresentavam frutos e dons do Espírito Santo e que não abririam mão da doutrina da regeneração com evidentes sinais de santificação pessoal. Sabiam também qual era o significado e importância, para o avanço da igreja de Cristo em Portugal, dos dons espirituais em acção, evidenciados pela melhor compreensão do verdadeiro significado do amor, o que correspondia exactamente ao «eixo ao redor do qual todo o verdadeiro Movimento pentecostal se move» (Tage Stählberg), e isso era compatível com a natureza da compreensão dos frutos e dos dons do Espírito Santo que tinham os primitivos cristãos que «eram pentecostais». Sinónimo de abandonar os vícios; de trajar com pudor, decentemente; apresentar-se como homem e mulher, distintamente. Em rigor, era a exigência de um novo estilo de vida.
Por fim, agora que me retiro de cena, depois de ter levantado umas quantas tendas no deserto (é assim que vejo, em termos de produção cultural estes ditos 100 anos de acção Pentecostal o plano da produção cultural), por definição frágeis, provisórias, à espera de melhores materiais e de trabalhadores que remexam a areia para, se possível, a transformar num jardim viçoso. Isto sem prejuízo do trabalho esforçado de todos os trabalhadores das letras, com interesse por este Movimento que, numa proporção ínfima, é certo, influenciou pessoas e famílias e deu-lhe esperança e futuro.
A minha grande ambição é que o estudo deste período possa ser feito, um dia, na Academia pelos jovens sociólogos, por exemplo, para ficarmos a saber o que valeu, para o País, em termos sociais, esta dinâmica evangélica que quis fazer a diferença no cristianismo instalado, fosse católico romano, reformado ou evangélico.
José Manuel Martins
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário