Entres outros dislates, nos últimos tempos sobressai o Acordo Ortográfico, que esteve no limbo dezenas de anos e nos atormenta, agora, o dia-a-dia. De muitas maneiras, mas em particular quando se afirma segui-lo e, na prática, se mistura o «novo» e o antigo...
Na vida, nem tudo muda por meio de actos voluntaristas, sem o respaldo da realidade, seja ela de que natureza for. Os autores e defensores das alterações à língua portuguesa, tal como se escrevia entre nós, tinham muita vontade de ficar na História e vão consegui-lo, mas não pelas razões mais sérias...
Não vão de feição os dias para quem gosta escrever de acordo com a anterior grafia e não quer enfrentar «confusões» ou atormentar-se com «ruídos» quando lê...
Vejam só, se não é de «dar em doido»: O Estado adoptou a grafia do AO, mas o Primeiro-ministro do governo de Portugal (Tem que dar o exemplo, e não pode dizer que está convencido que é opcional...) falando ao jornal Expresso do último sábado, usou (correctamente, digo eu...) o termo facto e não fato. Evitou confusões e manteve os jornalistas atentos à conversa e não à cor do fato que trazia vestido... Mas é o próprio jornal Expresso, que adoptou o AO, a permitir que nas suas páginas se escreva como se tal AO não existisse (e isso é bom para leitores que não gostam do AO...). Confesso que estou sempre ansioso por chegar a essas páginas, onde não se confundem factos nem fatos...
Passados 40 anos a ler regularmente o jornal Expresso, algumas páginas são mesmo difíceis de «digerir», tantas são as palavras do AO que, lidas como se escrevem, não «soam» bem ao ouvido mesmo quando lemos silenciosamente... (tecto é cobertura de casa, teto é mama, mamilo... Não sou capaz de dizer teto como digo tecto...) Ou seja, cada vez tenho menos vontade de ler o Expresso, o Diário da República e... a revista Novas de Alegria! Sim, muito mais essa, cujos 866 números me passaram pela mão, folha a folha, artigo a artigo, notícia a notícia... Regularmente, leio Novas de Alegria desde a adolescência. E também por causa da adopção «apressada» do dito AO ficou de leitura menos apetecível... Em especial por falta de «coerência»! Adoptado que está, devia respeitar o dito. Aliás, é o que garante: «Os textos desta revista estão conformes o novo acordo ortográfico.» Mas a garantia «esfuma-se» de imediato nos textos - substantivamente sempre bem conseguidos - dos Directores (Director e Directora-adjunta), como é o caso do número acabado de sair, precisamente o nº 866: O Director, citando «(...) por isso cremos que de fato vieste de Deus» e mais adiante consignando «que Jesus de fato viera do Pai»; a Directora-adjunta, escreveu que «De facto, temos...»
As minhas referências de leitura mais antigas (digo mesmo, obrigatórias por razões distintas), estão «contaminadas» e...incoerentes! Tudo por causa da adopção voluntarista dum AO que é um ABORTO!
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